As imagens retratam bem o espírito vivido nessas terras...
Beban cumo se nun houbisse manhana!
Saudaçones dionisíacas i ATMenses!
Enlevada pelo espírito da amizade, presta culto a Baco esta Irmandade. Conviver e vinho beber, este é o nosso lema Até Morrer...
Na vinha - o azul dos cachos a contrastar com o verde das folhas - homens e mulheres vindimam vergados. Há cestos de uvas por toda a parte, no chão, pequenos para mais facilmente serem transportados. No terreiro, em volta da adega, procede-se ao último preparo do vasilhame: uma fileira de pipas já está pronta, o tanoeiro dá o derradeiro aperto nos aros de uma outra, enquanto dentro dos balseiros homens de pernas nuas vão pisando a uva e debaixo do telheiro também o grande lagar de peso e fuso geme espremendo os cachos. Escorre o sumo em sangue da bica de pedra para o cântaro colocado numa vasilha de aduelas e logo substituído por outro mal se enche. Tenho ainda nos sentidos o gosto e o cheiro do vinho novo...»
Uma vez que os ATMeenses percorrem com frequência o país de norte a sul, criou-se a ATM peças auto para precaver todas e quaisquer possíveis ocorrências com as suas respectivas burrinhas.
Devido ao grande fluxo de visitantes do Blog, tornou-se necessário já no passado mês de Novembro a criação da ATM network, servidor este que proporcionará aos internautas mais boémios uma navegação de grande qualidade.


que, tendo passado o rio onde havia vau, descobrimos algo de muito espantoso que se passava com as videiras: da parte que saía da terra, o tronco propriamente era vigoroso e grosso, enquanto na parte de cima eram mulheres, com todas as partes completas das ancas para cima. [...] Da ponta dos dedos nasciam-lhes ramos, que estavam carregados de cachos. Além disso possuíam uma farta cabeleira de gavinhas, parras e cachos. Quando nos aproximámos, não paravam de nos cumprimentar e saudar [...] e beijavam-nos na boca. Aquele que era beijado ficava imediatamente embriagado e cambaleante. Contudo, não nos deixavam colher qualquer fruto, mas antes gemiam de dor e gritavam, se lhes arrancavam algum. Outras manifestavam mesmo desejos de se unir a nós, e aconteceu que dois dos nossos companheiros, tendo-se chegado a elas, já não eram capazes de se libertar, pois ficaram presos pelas partes viris. E de facto, cresciam juntos e criavam raízes em comum, e já mesmo lhes nasciam ramos nas pontas dos dedos; ficavam entrelaçados nas gavinhas e, em pouco tempo, estavam eles próprios aptos a dar fruto. [...]»“O vinho, a mais gentil das bebidas, devido quer a Noé, que plantou a vinha, quer a Baco, que espremeu o sumo de uva, data da infância do mundo.”
Brillart-Savarin
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No século XVII, inicia-se o uso de garrafas e de rolhas de cortiça para a conservação e transporte do vinho, iniciando-
se assim a indústria do vinho.
Com a Revolução Industrial, no século XVIII, o vinho perdeu muita qualidade. Passou a ser fabricado com técnicas menos rústicas, de forma a possibilitar a sua produção em massa e diminuir o seu valor monetário. Apesar de se ter tentado preservar as antigas tradições nalgumas regiões do interior de França, em Itália e na Alemanha, a produção vinícola sofreu alterações irremediáveis, de forma a adaptar-se ao mundo industrializado.
A segunda metade do século XIX foi bastante conturbada, sendo um marco trágico na história da vitivinicultura. Se não tivesse sido descoberta a técnica de enxerto de videiras, hoje poderíamos não ter o privilégio e o prazer de degustar o nosso estimado néctar e honrar o nosso divino Dioniso. O surgimento de uma prag
a provocada por um insecto (Phylloxera vastatrix), cuja larva ataca as raízes, destruiu quase a totalidade dos vinhedos da Europa. Esta larva alastrou-se pelas vinhas europeias, devido a videiras americanas trazidas para a Europa que estavam contaminadas. A salvação foi, precisamente, a resistência das raízes das videiras americanas ao insecto, o que permitiu serem usadas para enxertar as vinhas europeias.
Por outro lado, a segunda metade do século XIX ficou também marcada pela descoberta da fermentação e consequente vinificação das uvas, pelo cientista francês Louis Pasteur (1822-1895), publicadas na sua obra Études sur le Vin: a acção das leveduras sobre o açúcar da uva transforma-o em álcool e gás carbónico, e transforma o sumo da uva
e uvas.
Resta-nos esperar que os vinhos dos séculos vindouros melhorem ou, pelo menos, mantenham o mesmo nível de qualidade sem perder o charme dos grandes vinhos do século XX.
E, assim, chegámos à última parte da série de publicações sobre a História do Vinho. Espero que as tenham degustado...
Brillart-Savarin
Na Idade Média, a Igreja Católica desempenhou o papel mais importante do renascimento, desenvolvimento e aprimoramento das vinhas e do vinho. Assim, nos séculos que se seguiram, a Igreja tornou-se proprietária de extensas vinhas nos mosteiros das principais ordens religiosas da Europa. Os mosteiros eram recantos de paz, onde o vinho era produzido para o sacramento da eucaristia e para o próprio sustento dos monges.
Por volta do ano de 1.300, surge o primeiro livro impresso sobre o vinho: “Liber de Vinis”, escrito por Arnaldus de Villanova, médico e professor da Universidade de Montpellier. Trata-se de uma visão médica do vinho, onde se descrevem as propriedades curativas dos vinhos aromatizados em diversas doenças. Entre eles: o vinho aromatizado com arlequim, que permite "restabelecer o apetite e as energias, exaltar a alma, embelezar a face, promover o crescimento dos cabelos, limpar os dentes e manter a pessoa jovem".
Também os gregos já acreditavam nesse poder do vinho. Hipócrates fez várias observações sobre as propriedades medicinais do vinho, que são citadas em textos da história da medicina.
Com o aprimoramento das receitas, surgiram outros vinhos além do tinto, como os brancos, os rosés e os espumantes. E, em finais do séc. XV, com a colonização, a videira é levada para o continente americano.
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Saudações dionisíacas e ATMeenses*
“O vinho, a mais gentil das bebidas, devido quer a Noé, que plantou a vinha, quer a Baco, que espremeu o sumo de uva, data da infância do mundo.”
Caros ATMeenses,
Trago-vos aqui a provar a história de algo que para nós é tão nobre e que nos conduz nos nossos ébrios simpósios: a história do vinho.
Devido à longa existência e importância desta bebida, que consequentemente tornou o artigo demasiado extenso para publicar de uma só vez, preferi dividir o artigo em partes, de forma a tornar a leitura menos pesada e mais cativante. Sendo assim, todas as semanas sairá a descrição de um determinado período da história, cuja periodicidade terminará com as máximas evolutivas, que a enologia e a vitivinicultura nos deram a conhecer até aos dias de hoje.
Provem, saboreiem e desfrutem!!!
"O vinho, a mais gentil das bebidas, devido quer a Noé, que plantou a vinha, quer a Baco, que espremeu o sumo de uva, data da infância do mundo."
Brillart-Savarin
É difícil precisar uma data ou um local que indique de forma fidedigna a origem exacta deste néctar dos deuses, mas não há dúvidas que desde os tempos mais remotos, o vinho tem vindo a desempenhar um importante papel em quase todas as civilizações. São prova disso as expressões que lhe são atribuídas: "dádiva de deuses", "Sangue de Cristo", e "essência da própria vida".
Os enólogos dizem que a bebida surgiu por puro acaso. Talvez alguns dos nossos mais remotos antepassados se tenham esquecido de algumas uvas amassadas num recipiente, que tenham sofrido posteriormente os efeitos da fermentação. De qualquer forma, o cultivo das videiras para a produção do vinho só foi possível quando os nómadas se tornaram sedentários.
Os egípcios foram os primeiros a registar, em pinturas e documentos (datados de
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Saudações dionisíacas e ATMeenses*
aromas, ou eventualmente dissipar aromas estranhos que possa ter adquirido com o tempo que esteve engarrafado. Esta situação ocorre normalmente com vinhos tintos relativamente jovens, muito vigorosos e austeros, poderosos, que precisam de respirar no decanter para que possam libertar toda a energia que escondem. Também alguns brancos de perfil mais clássico ou com alguma idade beneficiam com a decantação.
Ariadne

Pinhel como uma região demarcada. Isto tornou a Vinicultura na principal actividade económica do concelho, estando o seu sucesso dependente da produção no mais belo monumento da cidade: A Adega Cooperativa.
Sobre a produção dos vinhos, deixar-vos-ei com uma explicação científica:
Padecer :do Latim patescere, incoativo de pati, sofrer.